às 7 desperto,
mas às 9 volta o sono..
o colchão rouba minhas formas,
o cobertor não me solta,
o travesseiro passeia.
às 12 quero cor,
às 13, sabor.
prefiro ver o sol das 16,
às 19 o olho brilha,
às 21 já quero a lua,
às 23 já sou sua,
às 24 já nem sei...
às 7 recomeço.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Construindo Dolores V
"_ Não olha prá trás, Dolores. Corre."
(...)
"Dolores não entendia como sua vida tinha chegado àquele ponto, corria sem entender, chorava sem entender."
(...)
"_ Você vai buscar os meninos?"
"_ Meu leite já secou tem doze anos, vão ter que se virar."
(...)
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
EFEITO DOMINÓ
O cheiro de pneu queimado inflou as pupilas,
fez as cores salientes (lisergicamente).
Instante iceberg...
O vento veloz levou
o leve lenço vermelho de meu pescoço
de mãos dadas
com a alma que fugiu do corpo.
Meu olhar comido pelo olhar
atônito dos transeuntes..
O outro eu
correu
para matar o desejo
do sorvete de pistache,
juntar a coleção de sementes
e plantar,
às pressas,
o jardim da frente da casa.
E o leve lenço vermelho,
ladrão de alma,
morre de saudade
do meu perfume.
fez as cores salientes (lisergicamente).
Instante iceberg...
O vento veloz levou
o leve lenço vermelho de meu pescoço
de mãos dadas
com a alma que fugiu do corpo.
Meu olhar comido pelo olhar
atônito dos transeuntes..
O outro eu
correu
para matar o desejo
do sorvete de pistache,
juntar a coleção de sementes
e plantar,
às pressas,
o jardim da frente da casa.
E o leve lenço vermelho,
ladrão de alma,
morre de saudade
do meu perfume.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
"prefiro a idéia ao fato. pouca realidade é vista por aqui e, quando surge, trato logo de falsificá-la. sobrecarga de entrelinhas! quero provocar as reticências no intuito de que se mantenha o exercício, o ritmo perfeito do pensamento individual. o universo da palavra é lindo, sendo inteira ou quebrada. decupada. vista pelo cérebro, mas de pulsos cortados, sanguínea. sonhando fonemas..."
DÉMODÉ
teleguiadas
telepáticas
trejeitos
tortos
traçados
tópicos
típicos
táteis
túneis
tépidos
trágicos
tecidos
tolhidos
turvos
tensos
trôpegos
tímpados
títulos
tendências
tristes
tráfegos
torpes
tiranos.
telepáticas
trejeitos
tortos
traçados
tópicos
típicos
táteis
túneis
tépidos
trágicos
tecidos
tolhidos
turvos
tensos
trôpegos
tímpados
títulos
tendências
tristes
tráfegos
torpes
tiranos.
sábado, 8 de novembro de 2008
recorte
e toda esta beleza..
este veneno doce,
suave,
sereno,
silencioso.
este diálogo implícito,
sobrenatural..
sussurro de olhos.
arrebata-me!
este veneno doce,
suave,
sereno,
silencioso.
este diálogo implícito,
sobrenatural..
sussurro de olhos.
arrebata-me!
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
AVESSO (apenas um exercício)
"_Eu não amo você!"
Perdoe-me mas...não.
(...)
Soa anti-natural,
cacofonia inata
que não se revela
por não ser aprendida.
Esta expressão de
sensibilidade torta
é posta sob tapetes.
(seria rodrigueana?):
"_ Eu não amo sua fala,
seu sono ruidoso,
seu corpo imperfeito,
seu olhar prático.
Eu não amo seus sonhos,
seus frívolos objetos de desejo.
Eu não amo sua vida em preto e branco.
Eu não amo seu diálogo com o mundo.
Eu não amo suas preferências
sonoras,
alimentares,
filosóficas,
sexuais,
estéticas.
A sua cor favorita não me agrada.
Suas manias não me comovem.
Suas mãos não despertam meus sentidos.
Eu não amo o SEU AMAR.
Não amo seus beijos.
Seu prazer me é indiferente.
Seu jeito de segurar os talheres,
o riso,
as banalidades que,
tantas vezes,
encantam...
Se seus, não amo.
Os seus olhos e olhares não sigo,
não quero abrir seus livros,
não quero "fuçar" sua caixa de memórias,
não quero contar meu dia.
Eu não vejo,
nas nuvens,
as mesmas imagens que você.
Não quero dividir meu banho,
meus lençóis,
meu silêncio.
Para que eu o ame,
precisaria reinventá-lo.
Embutir uma lente de
não-realidade.
Eu, definitivamente,
não amo você.
Pedi perdão por cortesia,
não me sinto culpada."
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Construindo Dolores IV
"A fumaça do cigarro calada, aquele silêncio malemolente era o que Dolores precisava para colocar as idéias em ordem."
(...)
" _ Dolores, por que você nunca me deu uma chance?"
"_ Prá você não me abandonar depois, Josival."
(...)
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
FENG SHUI
A escrita parece longa quando no começo e à mão.
É diferente do meu costume.
Eu gosto de escrita crua e curta.
Crua e curta.
Esta sou eu.
Não consigo pensar em outra palavra a não ser "normal"
para designar minha argumentação diante das intempéries,
alegrias, sustos e demais
provocações da existência.
Porque esta sou eu.
E eu quero contar...
Até aqui já temos quatro pronomes pessoais
"eu".
(...)
Bem verdade que pausas serão constantes.
Existe uma preocupação
(dúvida sobre todos os substantivos, adjetivos..)
em construir algo que soe real
e assegure a veracidade deste pequeno tipo de
testamento vivo.
E, ainda assim, há que se ter uma levada
poética,
rock and roll
ou qualquer ritmo que seja interessante
e vá além da própria idéia para
os longínquos que,
porventura,
possam vir a ler.
Porque eu quero contar...
Possuo um pequeno caderno onde,
esporadicamente,
escrevo.
Já com poucas folhas em branco.
As que estão escritas foram passadas a limpo.
Eu não gosto de rascunhos misturados.
Começa assim.
*talvez continue*
domingo, 26 de outubro de 2008
FARFALLA
São tolices, eu sei.
Assunto batido,
comida requentada.
Nada há de novo por aqui.
É tolice dizer das aflições,
é tolice dizer das cores na face e dos arrepios.
É muita tolice dizer dos sussurros ao ouvido,
do olhar indiscreto e prolongado.
O que são os tremores da espera,
a respiração aos solavancos senão...
tolices?
O que diriam os grandes intelectuais e filósofos da humanidade
sobre os diálogos intermináveis dos olhos nos olhos?
"_Que rol de...tolices!"
É tolice o sorriso que escapa,
é tolice o devaneio constante,
é tolice a fala embargada.
Será uma patologia desconhecida ou distúrbio hormonal
o bater de mil frágeis asas no ventre?
Não.
A medicina moderna julga,
utilizando-se de linguagem vulgar
para entendimento do público leigo,
serem as mais absurdas tolices e
receitam placebo para o desaparecimento dos sintomas.
O viço da pele,
o brilho da aura,
a quietude confessional
são tolices, eu sei.
Neste tolo jogo
não há vencedor ou vencido,
apenas:
TRAPACEIROS!!!
sábado, 25 de outubro de 2008
Construindo Dolores III
(...)
"Seus dentes rangiam, tal era a força com que os apertava. Seus pensamentos estavam brigando entre si e isto gerava em Dolores uma dor muito próxima do insuportável. Sem saber para onde deveria ir, deixou seus passos livres, esperando que algum cochicho superior, implícito no universo, a guiasse para um porto seguro."
(...)
"Avistou a casa. Aquele verde descascado das paredes proporcionou um certo alívio. Talvez tenha sido a primeira vez que Dolores sentiu, conscientemente, o que se pode chamar de...aconchego."
(...)
"Ele saiu pela porta da frente, um cachorro o seguia. Tinha um olho cego, fruto de uma briga de bar.
Motivo: mulher.
Que mulher?
Dolores."
(...)
"_ Dolores, Dolores... sabia que este dia iria chegar. Entra, o cachorro não morde."
(...)
"_Me dá uma cachaça, Josival."
terça-feira, 21 de outubro de 2008
SOL DAS QUATRO

Resolvi andar sem pressa,
troquei meus lépidos sapatos
pelas sandálias de dedos.
Escolhi-as pela dificuldade
que estas me asseguram.
(...)
Balzaquiana que não sabe andar de chinelos..
(...)
Desafio este de desacelerar:
pisar de mansinho a grama,
apreender entre os dedos
o pó do asfalto e seu calor.
Laboratório de pés.
(...)
***CONTINUA***
domingo, 19 de outubro de 2008
ÁTIMO
Passou o vento forte,
chacoalhou os objetos e
assustou os animais da casa..
Os jornais saíram se enrolando
pela porta da sala,
pareciam rir da brincadeira..
As janelas estavam batendo,
fechei-as.
As cortinas voavam,
guardei-as.
Meus cabelos me cegavam,
prendi-os.
Mas a porta dos fundos,
aquela que vai pro quintal,
está aberta.
Lá do espelho em que me vejo agora
ouço os sinos do mensageiro tocando.
De novo..
chacoalhou os objetos e
assustou os animais da casa..
Os jornais saíram se enrolando
pela porta da sala,
pareciam rir da brincadeira..
As janelas estavam batendo,
fechei-as.
As cortinas voavam,
guardei-as.
Meus cabelos me cegavam,
prendi-os.
Mas a porta dos fundos,
aquela que vai pro quintal,
está aberta.
Lá do espelho em que me vejo agora
ouço os sinos do mensageiro tocando.
De novo..
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Construindo Dolores II
(...)
"Ouviu muito pouco de sua mãe, mulher precária no trato com a prole, portanto não aprendeu a sentir e deixar-se sentir."
(...)
"Sua existência era obrigatória, não apreciada. Era um ser humano atípico."
(...)
"Aquela senhora semelhante a um molusco lustroso deixara Dolores fora de si."
(...)
"O perfume de uma mulher sempre tem muito a dizer. As mais velhas olham com ares de reprovação àquelas que exalam perfumes doces, sinuosamente provocantes."
(...)
"_Estique suas rugas prá se lavar. Você fede a talco vencido."
(...)
"Dolores Nervosa"
(...)
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Construindo Dolores
"Não que fosse feia, mas não se podia dizer que Dolores era uma mulher bonita.
Tinha magnestismo, isso sim... um desleixo sexy..."
(...)
"Seu cabelo era de um laranja cansado, raízes descuidadas..."
(...)
"Recusava-se a pintar as unhas de vermelho alegando que o vermelho era cor de unhas de mulher da vida..."
(...)
"Casou-se porque se sentiu cansada, depois de seu segundo filho completar doze anos mandou o marido embora. Quando questionada sobre as razões do rompimento, respondeu sonoramente:
_Nunca suportei sua voz.
Diante disto, o marido calou-se."
(...)
"_Não sei o que tenho que os homens não largam do meu pé!.
Isto era dito com a maior honestidade possível, uma vez que Dolores não tinha jeito com homens, não tinha jeito com gente, aliás não se interessava, esta é a verdade."
(...)
"Tinha mãos grandes, assim como os pés.. seus olhos traziam os traços indígenas da família da mãe. Sempre olhava os estranhos de soslaio...esperando algum ataque talvez.."
(...)
"Foi direto para o confessionário, não esperava que ali existisse alguém naquela hora."
(...)
"O sangue tinha parado de correr, congelou."
(...)
"_Padre, matei a velha!"
(...)
"Foi aí que tudo começou."
sábado, 11 de outubro de 2008
sábado, 4 de outubro de 2008
SOLFEJO

São em sete.
Servas da estação.
Surgem serenas em sol:
estas árvores do meu quintal.
Conheci seu lado improvável,
aquele "difamável",
sorrateiro e ardiloso.
Enegrece o olhar de quem repara
pois, despidas do verde que as ampara,
feito garras cuspidas do solo,
seguram bolas coloridas,
pipas destruídas,
a camiseta do ídolo..
Prazer frívolo!
Vampiras disfarçadas!
Mas são servas..
E, na próxima estação,
a natureza há de devolver
aquela alma pura,
a poesia cheia de doçura
feita à sua sombra fresca.
Que assim seja.
AMÉM!
domingo, 24 de agosto de 2008
CONFISSÃO PEQUENO-MELANCÓLICA...
Funciona assim:
acordo estranha.
Um não-querer conviver,
uma sem-querer apatia.
Me calo, me apago.
Desligo a luz dos olhos,
fecho a janela do sorriso,
me escondo dentro de mim e
não deixo ninguém entrar.
Passeio livre no universo paralelo
dos meus pensamentos
e monto o quebra-cabeça
com as imagens que guardei
daqueles que estão longe.
É uma dor fininha...
Eu ouço as palavras dos que estão ao meu redor
questionando:
-estará brava?
-estará com problema?
-estará menstruada?
-é TPM, com certeza.
Mas tudo isto vira
uma massa desinteressante a mim.
Ao final de um tempo
constato o diagnóstico:
saudade.
Não me importo em ser
bicho esquisito a quem não me conhece.
Não dependo da bondade de estranhos!
acordo estranha.
Um não-querer conviver,
uma sem-querer apatia.
Me calo, me apago.
Desligo a luz dos olhos,
fecho a janela do sorriso,
me escondo dentro de mim e
não deixo ninguém entrar.
Passeio livre no universo paralelo
dos meus pensamentos
e monto o quebra-cabeça
com as imagens que guardei
daqueles que estão longe.
É uma dor fininha...
Eu ouço as palavras dos que estão ao meu redor
questionando:
-estará brava?
-estará com problema?
-estará menstruada?
-é TPM, com certeza.
Mas tudo isto vira
uma massa desinteressante a mim.
Ao final de um tempo
constato o diagnóstico:
saudade.
Não me importo em ser
bicho esquisito a quem não me conhece.
Não dependo da bondade de estranhos!
segunda-feira, 14 de julho de 2008
JOSE CUERVO
Vagalumes demais não constróem idéias!
Uns conspiram, confundem, confabulam:
"_Pense nisto agora!"
Pois que o menos é mais!!!
Fiz uma armadilha e prendi os vagalumes.
Só um ficou livre:
batizei de Adalberto.
Ele me faz feliz!
O Adalberto não é destes de muita conversa.
Ele voa e pisca.
Mas ele faz isto tão bonito!
Uns conspiram, confundem, confabulam:
"_Pense nisto agora!"
Pois que o menos é mais!!!
Fiz uma armadilha e prendi os vagalumes.
Só um ficou livre:
batizei de Adalberto.
Ele me faz feliz!
O Adalberto não é destes de muita conversa.
Ele voa e pisca.
Mas ele faz isto tão bonito!
JACK DANIELS
Percebi que o amor não me serve.
Quero dizer no aspecto prático apenas.
Vamos esclarecer as coisas:
o amor dos/pelos homens.
Sim. HOMENS.
As mulheres que me perdoem,
mas as amo apenas com ternura
e cumplicidade na menstruação.
A verdade é que demorei a me convencer e aceitar esta idéia
uma vez que tenho um mundo interior excessivamente ágil
que me empurra fantasias muito mais interessantes
do que o que obtenho nas manhãs
pós-noites-de-sexo-incrível.
Assim sendo, vamos à redução de perdas e danos:
fico só com o prazer que eles me proporcionam.
Recorto toda a parte da idealização,jogos românticos e,
sem sofrimento algum,
deposito-os num destes aparelhos domésticos
que picam batatas, descascam coisas.
_ Pegue meus delírios e faça um bolero,
mister mix-master-multi-processador-portátil!!!!
Já senti a primeira pedrada
do coro que canta que o mais importante é o amor,
dos "amólatras" ditando a primeira regra:
não desista nunca!!
Parem!! Vocês não estão entendendo:
eu disse que o amor não me serve no aspecto prático.
Este nobre sentimento me ocupa
desde que abro os olhos pela manhã.
Mas ESTE para ELES será só MEU.
Meu fermento de boleros.
Nego a negatividade da vida
para obter uma existência positiva
como rege a matemática básica.
Amanhã vou me apaixonar por um homem perfumado,
com braços fortes e boa lábia.
Depois de amanhã vou às Casas Bahia
parcelar um mix-master-multi-processador-portátil.
Quero dizer no aspecto prático apenas.
Vamos esclarecer as coisas:
o amor dos/pelos homens.
Sim. HOMENS.
As mulheres que me perdoem,
mas as amo apenas com ternura
e cumplicidade na menstruação.
A verdade é que demorei a me convencer e aceitar esta idéia
uma vez que tenho um mundo interior excessivamente ágil
que me empurra fantasias muito mais interessantes
do que o que obtenho nas manhãs
pós-noites-de-sexo-incrível.
Assim sendo, vamos à redução de perdas e danos:
fico só com o prazer que eles me proporcionam.
Recorto toda a parte da idealização,jogos românticos e,
sem sofrimento algum,
deposito-os num destes aparelhos domésticos
que picam batatas, descascam coisas.
_ Pegue meus delírios e faça um bolero,
mister mix-master-multi-processador-portátil!!!!
Já senti a primeira pedrada
do coro que canta que o mais importante é o amor,
dos "amólatras" ditando a primeira regra:
não desista nunca!!
Parem!! Vocês não estão entendendo:
eu disse que o amor não me serve no aspecto prático.
Este nobre sentimento me ocupa
desde que abro os olhos pela manhã.
Mas ESTE para ELES será só MEU.
Meu fermento de boleros.
Nego a negatividade da vida
para obter uma existência positiva
como rege a matemática básica.
Amanhã vou me apaixonar por um homem perfumado,
com braços fortes e boa lábia.
Depois de amanhã vou às Casas Bahia
parcelar um mix-master-multi-processador-portátil.
domingo, 27 de janeiro de 2008
FRAGMENTOS II
Misture as gemas com o açúcar
Até formar um creme liso.
(...)
"...in my world of fantasy.."
(...)
Acrescente os ingredientes secos.
(...)
_ Rosana, vem fazer a tarefa já!!
(pela janela)
(...)
Ring Ring
_Alô.
_Quem fala?
_Angélica.
_Boa tarde. Nós estamos com uma promoção da Revista Veja..
_Certo.
_Você já foi assinante de ...
_Já.
_Qual foi o motivo..
_Não tenho interesse.
_Mas você gostaria de conhecer..
_Me ligaram Segunda, já disse que não tenho interesse.
_A Editora Abril agradece. Boa tarde.
_Boa tarde.
(...)
"...burning like na angel
who has heaven in reprieve..."
(...)
_Cala a boca! Você fica me atormentando o dia inteiro!"
(pela parede)
(...)
Misture todos os ingredientes até virar uma massa homogênea.
As claras devem ser batidas em neve.
(...)
_Onde está a molinha de bater as claras em neve?
(...)
_Doce!!! Doce!!!
_Que doce o quê, Bruno, vai tomar banho!
_Buáááááá!!!
(pela janela)
(...)
"Let’s dance little stranger
show me secret sins.."
(...)
Acendo o forno.
(...)
Ploc Ploc Ploc
_Esta molinha é boa mesmo,
quase a neve..
(...)
Rin Ring
_Se eu parar agora as claras vão desandar..
Ring Ring
_Não vou atender coisa nenhuma.
Ring Ring
_Ô meu Deeeeus!..
Ring Ring
_ALÔ!
_É quem?
_COM QUEM VOCÊ QUER FALAR?
(Glória Kalil que me desculpe, mas tenho claras em neve desandando)
_O Toninho taí?
_QUE TONINHO? NÃO TEM TONINHO NENHUM AQUI!!
(...)
" Soon the music’s over
Let’s give it one more chance..."
(...)
Junte as claras em neve à massa e
misture delicadamente.
(...)
_AMOR, PEGA A TOALHA PRÁ MIM?
(pela parede)
(...)
Unte uma forma média,
leve a massa para assar em forno quente
pôr mais ou menos 30 minutos.
(...)
"Let’s dance little stranger
Show me secret sins
Love can be a bondage
Seduce me once again
Burning like an angel
Who has heaven in reprieve
Burning like the voodoo man
With devils on his sleeve
Won’t you dance with me
In my world of fantasy
Won’t you dance with me
Ritual fertility
Like an apparition
You don’t seem real at all
Like a premonition
Of curses on my soul
The way I want to love you
Well it could be against the law
I’ve seen you in a thousand minds
You’ve made the angels fall
Come on little stranger
There’s only one last dance
Soon the music’s over
Let’s give it one more chance..."
(...)
_Tá cheirando assado.
(...)
Prato. Xícara.
(...)
Elevador.
(...)
_Tereza, trouxe um bolinho com café prá você.
Passa margarina que derrete.
Olha que delícia!!!
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
EAU DE TOILETTE

Veio até mim
feito pálido cristal,
sem chamar atenção
nem espalhar meu jornal.
Todavia,
é certo que assim não ficaria:
_Não seja tão visceral!!
O excesso sanguíneo
reagiu à monotonia.
Este tal coração
tem que bater todo dia!
Tanto céu estrelado
não iria passar impune.
_Não seja tão açucarada!
Pois sim!
Se fiz mal quero meu julgamento.
Diga alto minha sentença!!!
(...)
Não achou nenhum castigo?
_Não seja tão sincera!
Abafo todos os ais
em prol destes amores.
Não são especiais,
não decoro seus perfumes
nem dedico minhas rimas.
Duram apenas o momento
em que sustento minha farsa.
Agora acabou!
Compre o bilhete
para outra sessão.
_Não seja tão imoral!
feito pálido cristal,
sem chamar atenção
nem espalhar meu jornal.
Todavia,
é certo que assim não ficaria:
_Não seja tão visceral!!
O excesso sanguíneo
reagiu à monotonia.
Este tal coração
tem que bater todo dia!
Tanto céu estrelado
não iria passar impune.
_Não seja tão açucarada!
Pois sim!
Se fiz mal quero meu julgamento.
Diga alto minha sentença!!!
(...)
Não achou nenhum castigo?
_Não seja tão sincera!
Abafo todos os ais
em prol destes amores.
Não são especiais,
não decoro seus perfumes
nem dedico minhas rimas.
Duram apenas o momento
em que sustento minha farsa.
Agora acabou!
Compre o bilhete
para outra sessão.
_Não seja tão imoral!
domingo, 6 de janeiro de 2008
FRAGMENTOS I
_Não tenho mais cabeça prá nada!
_Pai, o senhor sabe as porcentagens de todos os impostos,
de tudo o que existe e
prá onde vão.
Como não tem cabeça prá nada?
_Mas não posso esquecer o nome de um homem que vi crescer.
(...)
_Mãe, não é a Lolita Rodrigues.
_É sim!
_Aposto tudo o que tenho.
(...)
_O Fumaça gosta que passe a vassoura na barriga dele.
(...)
_Pai, o senhor podia plantar girassol perto do muro.
_Não. Não dá. Cada coisa tem seu lugar.
(...)
_O nome dele tem i, parece Tito..
(...)
_Você tirou um talho da minha orelha ontem,
saiu sangue na hora da missa.
_É um raspadinho pequenininho de nada, Antonio. Tô vendo aqui.
_Põe os óculos que fica maior.
_Pai, é um raspadinho de nada.
*Silêncio.
(...)
_É a Lolita Rodrigues.
_Mãe, não é a Lolita Rodrigues.
(...)
_Moça, posso escrever uma poesia prá você?
_Pode.
(...)
_Angélica, você lembra quando a gente veio veio aqui
colher ramos de cedrinho prá fazer o mural da escola
e você ficava cantando "lerêê, lerêêê" da escrava Isaura?
(...)
_Pai, todo mundo esquece as coisas.
_Não é não, é a idade que acaba com a cabeça.
(...)
_Angélica, você colocou água prá Kika?
(...)
_Como é seu nome?
_Angélica.
(...)
_Olinda, tira meu sapato do sol.
(...)
_Eu lembro o nome de todo mundo da casa dele...
(...)
_O Fumaça saiu prá dar a voltinha dele e deitou no mesmo lugar.
Eta gato preguiçoso!
(...)
_Você vai guardar a poesia?
_Vou.
(...)
_Eu quero ver a "castanha" dela, como é que tá.
(dedos tortos pela idade abrindo o caroço da manga)
_Você tá vendo? Se coloca no chão, daqui uma semana
o broto já está prá fora.
(...)
_Ai que susto pai!
(ele jogou um doce em mim enquanto eu escrevia isto)
(...)
_Angélica, eu sei que você não quer nada comigo,
mas eu gosto de conversar com seus olhos.
_Tudo bem.
_Você vai guardar a poesia?
_Vou.
(...)
_EU NÃO SEI COMO VOCÊS AGUENTAM O BARULHO DESSE RELÓGIO!
AINDA VOU QUEBRAR ISTO!!!
_A gente já acostumou, Angélica.
(...)
_O Fumaça já voltou, mãe, tá esticado lá na calçada.
(...)
_Ele dá tanta importância prá essas coisinhas que esquece...
_Você não conhece seu pai?
(...)
*Porta do banheiro abrindo.
_Você sabe qual é o nome dele? É VALDOMIRO!!
*Porta do banheiro fechando.
_Pai, o senhor sabe as porcentagens de todos os impostos,
de tudo o que existe e
prá onde vão.
Como não tem cabeça prá nada?
_Mas não posso esquecer o nome de um homem que vi crescer.
(...)
_Mãe, não é a Lolita Rodrigues.
_É sim!
_Aposto tudo o que tenho.
(...)
_O Fumaça gosta que passe a vassoura na barriga dele.
(...)
_Pai, o senhor podia plantar girassol perto do muro.
_Não. Não dá. Cada coisa tem seu lugar.
(...)
_O nome dele tem i, parece Tito..
(...)
_Você tirou um talho da minha orelha ontem,
saiu sangue na hora da missa.
_É um raspadinho pequenininho de nada, Antonio. Tô vendo aqui.
_Põe os óculos que fica maior.
_Pai, é um raspadinho de nada.
*Silêncio.
(...)
_É a Lolita Rodrigues.
_Mãe, não é a Lolita Rodrigues.
(...)
_Moça, posso escrever uma poesia prá você?
_Pode.
(...)
_Angélica, você lembra quando a gente veio veio aqui
colher ramos de cedrinho prá fazer o mural da escola
e você ficava cantando "lerêê, lerêêê" da escrava Isaura?
(...)
_Pai, todo mundo esquece as coisas.
_Não é não, é a idade que acaba com a cabeça.
(...)
_Angélica, você colocou água prá Kika?
(...)
_Como é seu nome?
_Angélica.
(...)
_Olinda, tira meu sapato do sol.
(...)
_Eu lembro o nome de todo mundo da casa dele...
(...)
_O Fumaça saiu prá dar a voltinha dele e deitou no mesmo lugar.
Eta gato preguiçoso!
(...)
_Você vai guardar a poesia?
_Vou.
(...)
_Eu quero ver a "castanha" dela, como é que tá.
(dedos tortos pela idade abrindo o caroço da manga)
_Você tá vendo? Se coloca no chão, daqui uma semana
o broto já está prá fora.
(...)
_Ai que susto pai!
(ele jogou um doce em mim enquanto eu escrevia isto)
(...)
_Angélica, eu sei que você não quer nada comigo,
mas eu gosto de conversar com seus olhos.
_Tudo bem.
_Você vai guardar a poesia?
_Vou.
(...)
_EU NÃO SEI COMO VOCÊS AGUENTAM O BARULHO DESSE RELÓGIO!
AINDA VOU QUEBRAR ISTO!!!
_A gente já acostumou, Angélica.
(...)
_O Fumaça já voltou, mãe, tá esticado lá na calçada.
(...)
_Ele dá tanta importância prá essas coisinhas que esquece...
_Você não conhece seu pai?
(...)
*Porta do banheiro abrindo.
_Você sabe qual é o nome dele? É VALDOMIRO!!
*Porta do banheiro fechando.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
SENTIMENTOS BRUTOS
-Morreu.
-Mentira!
-Morreu sim. Têm meses.
(...)
Desespero atrasado,
inconveniente,
embaraçoso.
Saí de cabeça baixa.
Parecia ter feito algo errado.
Mas o errado era o tempo
que sofreu um recorte
e agora levava um remendo.
Decidi para onde deveria ir
e andei depressa.
(...)
Eu o-d-e-i-o este lugar.
Evito seu nome.
Cidade de caixotes.
Caixotes de restos.
Restos de gente.
É tanta morte que a vida ofende!
(...)
Achei.
Primeiro vi a cor,
depois vi o tamanho,
prestei atenção em todos os detalhes sórdidos
tentando evitar o retrato.
Então li o nome completo,
data de nascimento,
data de ...
e vi o retrato!
A realidade bateu em minha cara,
o cimento amparou meus golpes
e tudo o que pude fazer
foi quebrar os malditos vasos
com as malditas flores de plástico.
(...)
Sentei-me.
Olhei fixamente para o retrato
e falei baixinho:
"quis"
"amei"
"escondi"
"errei"
...
E foi um desfile de verbos
conjugados no passado.
Então elas finalmente vieram.
Torrenciais.
Quentes.
Cegaram-me.
Trouxeram de presente
o sentimento mais cruel:
arrependimento.
Palavra feia.
(...)
O tempo começou a virar.
(...)
Matei a morte que viveu em mim.
Sepultei o rascunho de uma história.
(...)
-Vai passar. Eu dou um jeito.
- Eu sempre dou um jeito.
Assinar:
Postagens (Atom)






