quarta-feira, 19 de novembro de 2008

EFEITO DOMINÓ

O cheiro de pneu queimado inflou as pupilas,
fez as cores salientes (lisergicamente).
Instante iceberg...
O vento veloz levou
o leve lenço vermelho de meu pescoço
de mãos dadas
com a alma que fugiu do corpo.
Meu olhar comido pelo olhar
atônito dos transeuntes..
O outro eu
correu
para matar o desejo
do sorvete de pistache,
juntar a coleção de sementes
e plantar,
às pressas,
o jardim da frente da casa.
E o leve lenço vermelho,
ladrão de alma,
morre de saudade
do meu perfume.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"prefiro a idéia ao fato. pouca realidade é vista por aqui e, quando surge, trato logo de falsificá-la. sobrecarga de entrelinhas! quero provocar as reticências no intuito de que se mantenha o exercício, o ritmo perfeito do pensamento individual. o universo da palavra é lindo, sendo inteira ou quebrada. decupada. vista pelo cérebro, mas de pulsos cortados, sanguínea. sonhando fonemas..."

DÉMODÉ

teleguiadas
telepáticas
trejeitos
tortos
traçados
tópicos
típicos
táteis
túneis
tépidos
trágicos
tecidos
tolhidos
turvos
tensos
trôpegos
tímpados
títulos
tendências
tristes
tráfegos
torpes
tiranos.

domingo, 9 de novembro de 2008

A vertigem não me tira dos passeios à margem do abismo.

sábado, 8 de novembro de 2008

recorte

e toda esta beleza..
este veneno doce,
suave,
sereno,
silencioso.
este diálogo implícito,
sobrenatural..
sussurro de olhos.
arrebata-me!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

AVESSO (apenas um exercício)

"_Eu não amo você!"
Perdoe-me mas...não.
(...)
Soa anti-natural,
cacofonia inata
que não se revela
por não ser aprendida.
Esta expressão de
sensibilidade torta
é posta sob tapetes.
(seria rodrigueana?):
"_ Eu não amo sua fala,
seu sono ruidoso,
seu corpo imperfeito,
seu olhar prático.
Eu não amo seus sonhos,
seus frívolos objetos de desejo.
Eu não amo sua vida em preto e branco.
Eu não amo seu diálogo com o mundo.
Eu não amo suas preferências
sonoras,
alimentares,
filosóficas,
sexuais,
estéticas.
A sua cor favorita não me agrada.
Suas manias não me comovem.
Suas mãos não despertam meus sentidos.
Eu não amo o SEU AMAR.
Não amo seus beijos.
Seu prazer me é indiferente.
Seu jeito de segurar os talheres,
o riso,
as banalidades que,
tantas vezes,
encantam...
Se seus, não amo.
Os seus olhos e olhares não sigo,
não quero abrir seus livros,
não quero "fuçar" sua caixa de memórias,
não quero contar meu dia.
Eu não vejo,
nas nuvens,
as mesmas imagens que você.
Não quero dividir meu banho,
meus lençóis,
meu silêncio.
Para que eu o ame,
precisaria reinventá-lo.
Embutir uma lente de
não-realidade.
Eu, definitivamente,
não amo você.
Pedi perdão por cortesia,
não me sinto culpada."

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Construindo Dolores IV

"A fumaça do cigarro calada, aquele silêncio malemolente era o que Dolores precisava para colocar as idéias em ordem."
(...)
" _ Dolores, por que você nunca me deu uma chance?"
"_ Prá você não me abandonar depois, Josival."
(...)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

FENG SHUI


A escrita parece longa quando no começo e à mão.
É diferente do meu costume.
Eu gosto de escrita crua e curta.
Crua e curta.
Esta sou eu.
Não consigo pensar em outra palavra a não ser "normal"
para designar minha argumentação diante das intempéries,
alegrias, sustos e demais
provocações da existência.
Porque esta sou eu.
E eu quero contar...
Até aqui já temos quatro pronomes pessoais
"eu".
(...)
Bem verdade que pausas serão constantes.
Existe uma preocupação
(dúvida sobre todos os substantivos, adjetivos..)
em construir algo que soe real
e assegure a veracidade deste pequeno tipo de
testamento vivo.
E, ainda assim, há que se ter uma levada
poética,
rock and roll
ou qualquer ritmo que seja interessante
e vá além da própria idéia para
os longínquos que,
porventura,
possam vir a ler.
Porque eu quero contar...
Possuo um pequeno caderno onde,
esporadicamente,
escrevo.
Já com poucas folhas em branco.
As que estão escritas foram passadas a limpo.
Eu não gosto de rascunhos misturados.
Começa assim.

*talvez continue*