domingo, 26 de outubro de 2008

Em algum lugar, eu sei, há um cigarro meu.
Queimando...

sábado, 25 de outubro de 2008

Construindo Dolores III

(...)
"Seus dentes rangiam, tal era a força com que os apertava. Seus pensamentos estavam brigando entre si e isto gerava em Dolores uma dor muito próxima do insuportável. Sem saber para onde deveria ir, deixou seus passos livres, esperando que algum cochicho superior, implícito no universo, a guiasse para um porto seguro."
(...)
"Avistou a casa. Aquele verde descascado das paredes proporcionou um certo alívio. Talvez tenha sido a primeira vez que Dolores sentiu, conscientemente, o que se pode chamar de...aconchego."
(...)
"Ele saiu pela porta da frente, um cachorro o seguia. Tinha um olho cego, fruto de uma briga de bar.
Motivo: mulher.
Que mulher?
Dolores."
(...)
"_ Dolores, Dolores... sabia que este dia iria chegar. Entra, o cachorro não morde."
(...)
"_Me dá uma cachaça, Josival."

terça-feira, 21 de outubro de 2008

SOL DAS QUATRO


Resolvi andar sem pressa,
troquei meus lépidos sapatos
pelas sandálias de dedos.
Escolhi-as pela dificuldade
que estas me asseguram.
(...)
Balzaquiana que não sabe andar de chinelos..
(...)
Desafio este de desacelerar:
pisar de mansinho a grama,
apreender entre os dedos
o pó do asfalto e seu calor.
Laboratório de pés.
(...)

***CONTINUA***




domingo, 19 de outubro de 2008

ÁTIMO

Passou o vento forte,
chacoalhou os objetos e
assustou os animais da casa..
Os jornais saíram se enrolando
pela porta da sala,
pareciam rir da brincadeira..
As janelas estavam batendo,
fechei-as.
As cortinas voavam,
guardei-as.
Meus cabelos me cegavam,
prendi-os.
Mas a porta dos fundos,
aquela que vai pro quintal,
está aberta.
Lá do espelho em que me vejo agora
ouço os sinos do mensageiro tocando.
De novo..

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Construindo Dolores II

(...)
"Ouviu muito pouco de sua mãe, mulher precária no trato com a prole, portanto não aprendeu a sentir e deixar-se sentir."
(...)
"Sua existência era obrigatória, não apreciada. Era um ser humano atípico."
(...)
"Aquela senhora semelhante a um molusco lustroso deixara Dolores fora de si."
(...)
"O perfume de uma mulher sempre tem muito a dizer. As mais velhas olham com ares de reprovação àquelas que exalam perfumes doces, sinuosamente provocantes."
(...)
"_Estique suas rugas prá se lavar. Você fede a talco vencido."
(...)
"Dolores Nervosa"
(...)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Construindo Dolores

O que tenho:
"Não que fosse feia, mas não se podia dizer que Dolores era uma mulher bonita.
Tinha magnestismo, isso sim... um desleixo sexy..."
(...)
"Seu cabelo era de um laranja cansado, raízes descuidadas..."
(...)
"Recusava-se a pintar as unhas de vermelho alegando que o vermelho era cor de unhas de mulher da vida..."
(...)
"Casou-se porque se sentiu cansada, depois de seu segundo filho completar doze anos mandou o marido embora. Quando questionada sobre as razões do rompimento, respondeu sonoramente:
_Nunca suportei sua voz.
Diante disto, o marido calou-se."
(...)
"_Não sei o que tenho que os homens não largam do meu pé!.
Isto era dito com a maior honestidade possível, uma vez que Dolores não tinha jeito com homens, não tinha jeito com gente, aliás não se interessava, esta é a verdade."
(...)
"Tinha mãos grandes, assim como os pés.. seus olhos traziam os traços indígenas da família da mãe. Sempre olhava os estranhos de soslaio...esperando algum ataque talvez.."
(...)
"Foi direto para o confessionário, não esperava que ali existisse alguém naquela hora."
(...)
"O sangue tinha parado de correr, congelou."
(...)
"_Padre, matei a velha!"
(...)
"Foi aí que tudo começou."

sábado, 11 de outubro de 2008

Essa moça do batom vermelho e tridente de açúcar
veio dançar uma valsa subaquática onde eu vivia..
Ela tinha muitos planos para mim.
Ela tinha muita coisa para me contar.
Então eu ouvi.
Então eu aprendi a dançar a valsa subaquática!!

sábado, 4 de outubro de 2008

SOLFEJO


São em sete.
Servas da estação.
Surgem serenas em sol:
estas árvores do meu quintal.
Conheci seu lado improvável,
aquele "difamável",
sorrateiro e ardiloso.
Enegrece o olhar de quem repara
pois, despidas do verde que as ampara,
feito garras cuspidas do solo,
seguram bolas coloridas,
pipas destruídas,
a camiseta do ídolo..
Prazer frívolo!
Vampiras disfarçadas!
Mas são servas..
E, na próxima estação,
a natureza há de devolver
aquela alma pura,
a poesia cheia de doçura
feita à sua sombra fresca.
Que assim seja.
AMÉM!

domingo, 24 de agosto de 2008

CONFISSÃO PEQUENO-MELANCÓLICA...

Funciona assim:
acordo estranha.
Um não-querer conviver,
uma sem-querer apatia.
Me calo, me apago.
Desligo a luz dos olhos,
fecho a janela do sorriso,
me escondo dentro de mim e
não deixo ninguém entrar.
Passeio livre no universo paralelo
dos meus pensamentos
e monto o quebra-cabeça
com as imagens que guardei
daqueles que estão longe.
É uma dor fininha...
Eu ouço as palavras dos que estão ao meu redor
questionando:
-estará brava?
-estará com problema?
-estará menstruada?
-é TPM, com certeza.
Mas tudo isto vira
uma massa desinteressante a mim.
Ao final de um tempo
constato o diagnóstico:
saudade.
Não me importo em ser
bicho esquisito a quem não me conhece.
Não dependo da bondade de estranhos!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

I'M BACK!!!!

JOSE CUERVO

Vagalumes demais não constróem idéias!
Uns conspiram, confundem, confabulam:
"_Pense nisto agora!"
Pois que o menos é mais!!!
Fiz uma armadilha e prendi os vagalumes.
Só um ficou livre:
batizei de Adalberto.
Ele me faz feliz!
O Adalberto não é destes de muita conversa.
Ele voa e pisca.
Mas ele faz isto tão bonito!

JACK DANIELS

Percebi que o amor não me serve.
Quero dizer no aspecto prático apenas.
Vamos esclarecer as coisas:
o amor dos/pelos homens.
Sim. HOMENS.
As mulheres que me perdoem,
mas as amo apenas com ternura
e cumplicidade na menstruação.
A verdade é que demorei a me convencer e aceitar esta idéia
uma vez que tenho um mundo interior excessivamente ágil
que me empurra fantasias muito mais interessantes
do que o que obtenho nas manhãs
pós-noites-de-sexo-incrível.
Assim sendo, vamos à redução de perdas e danos:
fico só com o prazer que eles me proporcionam.
Recorto toda a parte da idealização,jogos românticos e,
sem sofrimento algum,
deposito-os num destes aparelhos domésticos
que picam batatas, descascam coisas.
_ Pegue meus delírios e faça um bolero,
mister mix-master-multi-processador-portátil!!!!
Já senti a primeira pedrada
do coro que canta que o mais importante é o amor,
dos "amólatras" ditando a primeira regra:
não desista nunca!!
Parem!! Vocês não estão entendendo:
eu disse que o amor não me serve no aspecto prático.
Este nobre sentimento me ocupa
desde que abro os olhos pela manhã.
Mas ESTE para ELES será só MEU.
Meu fermento de boleros.
Nego a negatividade da vida
para obter uma existência positiva
como rege a matemática básica.
Amanhã vou me apaixonar por um homem perfumado,
com braços fortes e boa lábia.
Depois de amanhã vou às Casas Bahia
parcelar um mix-master-multi-processador-portátil.

domingo, 27 de janeiro de 2008

FRAGMENTOS II

(Pic by Irving Penn)

Misture as gemas com o açúcar
Até formar um creme liso.
(...)
"...in my world of fantasy.."
(...)
Acrescente os ingredientes secos.
(...)
_ Rosana, vem fazer a tarefa já!!
(pela janela)
(...)
Ring Ring
_Alô.
_Quem fala?
_Angélica.
_Boa tarde. Nós estamos com uma promoção da Revista Veja..
_Certo.
_Você já foi assinante de ...
_Já.
_Qual foi o motivo..
_Não tenho interesse.
_Mas você gostaria de conhecer..
_Me ligaram Segunda, já disse que não tenho interesse.
_A Editora Abril agradece. Boa tarde.
_Boa tarde.
(...)
"...burning like na angel
who has heaven in reprieve..."
(...)
_Cala a boca! Você fica me atormentando o dia inteiro!"
(pela parede)
(...)
Misture todos os ingredientes até virar uma massa homogênea.
As claras devem ser batidas em neve.
(...)
_Onde está a molinha de bater as claras em neve?
(...)
_Doce!!! Doce!!!
_Que doce o quê, Bruno, vai tomar banho!
_Buáááááá!!!
(pela janela)
(...)
"Let’s dance little stranger
show me secret sins.."
(...)
Acendo o forno.
(...)
Ploc Ploc Ploc
_Esta molinha é boa mesmo,
quase a neve..
(...)
Rin Ring
_Se eu parar agora as claras vão desandar..
Ring Ring
_Não vou atender coisa nenhuma.
Ring Ring
_Ô meu Deeeeus!..
Ring Ring
_ALÔ!
_É quem?
_COM QUEM VOCÊ QUER FALAR?
(Glória Kalil que me desculpe, mas tenho claras em neve desandando)
_O Toninho taí?
_QUE TONINHO? NÃO TEM TONINHO NENHUM AQUI!!
(...)
" Soon the music’s over
Let’s give it one more chance..."
(...)
Junte as claras em neve à massa e
misture delicadamente.
(...)
_AMOR, PEGA A TOALHA PRÁ MIM?
(pela parede)
(...)
Unte uma forma média,
leve a massa para assar em forno quente
pôr mais ou menos 30 minutos.
(...)
"Let’s dance little stranger
Show me secret sins
Love can be a bondage
Seduce me once again

Burning like an angel
Who has heaven in reprieve
Burning like the voodoo man
With devils on his sleeve

Won’t you dance with me
In my world of fantasy
Won’t you dance with me
Ritual fertility

Like an apparition
You don’t seem real at all
Like a premonition
Of curses on my soul

The way I want to love you
Well it could be against the law
I’ve seen you in a thousand minds
You’ve made the angels fall

Come on little stranger
There’s only one last dance
Soon the music’s over
Let’s give it one more chance..."
(...)
_Tá cheirando assado.
(...)
Prato. Xícara.
(...)
Elevador.
(...)
_Tereza, trouxe um bolinho com café prá você.
Passa margarina que derrete.
Olha que delícia!!!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

EAU DE TOILETTE


Veio até mim
feito pálido cristal,
sem chamar atenção
nem espalhar meu jornal.
Todavia,
é certo que assim não ficaria:
_Não seja tão visceral!!
O excesso sanguíneo
reagiu à monotonia.
Este tal coração
tem que bater todo dia!
Tanto céu estrelado
não iria passar impune.
_Não seja tão açucarada!
Pois sim!
Se fiz mal quero meu julgamento.
Diga alto minha sentença!!!
(...)
Não achou nenhum castigo?
_Não seja tão sincera!
Abafo todos os ais
em prol destes amores.
Não são especiais,
não decoro seus perfumes
nem dedico minhas rimas.
Duram apenas o momento
em que sustento minha farsa.
Agora acabou!
Compre o bilhete
para outra sessão.
_Não seja tão imoral!

domingo, 6 de janeiro de 2008

FRAGMENTOS I

_Não tenho mais cabeça prá nada!
_Pai, o senhor sabe as porcentagens de todos os impostos,
de tudo o que existe e
prá onde vão.
Como não tem cabeça prá nada?
_Mas não posso esquecer o nome de um homem que vi crescer.
(...)
_Mãe, não é a Lolita Rodrigues.
_É sim!
_Aposto tudo o que tenho.
(...)
_O Fumaça gosta que passe a vassoura na barriga dele.
(...)
_Pai, o senhor podia plantar girassol perto do muro.
_Não. Não dá. Cada coisa tem seu lugar.
(...)
_O nome dele tem i, parece Tito..
(...)
_Você tirou um talho da minha orelha ontem,
saiu sangue na hora da missa.
_É um raspadinho pequenininho de nada, Antonio. Tô vendo aqui.
_Põe os óculos que fica maior.
_Pai, é um raspadinho de nada.
*Silêncio.
(...)
_É a Lolita Rodrigues.
_Mãe, não é a Lolita Rodrigues.
(...)
_Moça, posso escrever uma poesia prá você?
_Pode.
(...)
_Angélica, você lembra quando a gente veio veio aqui
colher ramos de cedrinho prá fazer o mural da escola
e você ficava cantando "lerêê, lerêêê" da escrava Isaura?
(...)
_Pai, todo mundo esquece as coisas.
_Não é não, é a idade que acaba com a cabeça.
(...)
_Angélica, você colocou água prá Kika?
(...)
_Como é seu nome?
_Angélica.
(...)
_Olinda, tira meu sapato do sol.
(...)
_Eu lembro o nome de todo mundo da casa dele...
(...)
_O Fumaça saiu prá dar a voltinha dele e deitou no mesmo lugar.
Eta gato preguiçoso!
(...)
_Você vai guardar a poesia?
_Vou.
(...)
_Eu quero ver a "castanha" dela, como é que tá.
(dedos tortos pela idade abrindo o caroço da manga)
_Você tá vendo? Se coloca no chão, daqui uma semana
o broto já está prá fora.
(...)
_Ai que susto pai!
(ele jogou um doce em mim enquanto eu escrevia isto)
(...)
_Angélica, eu sei que você não quer nada comigo,
mas eu gosto de conversar com seus olhos.
_Tudo bem.
_Você vai guardar a poesia?
_Vou.
(...)
_EU NÃO SEI COMO VOCÊS AGUENTAM O BARULHO DESSE RELÓGIO!
AINDA VOU QUEBRAR ISTO!!!
_A gente já acostumou, Angélica.
(...)
_O Fumaça já voltou, mãe, tá esticado lá na calçada.
(...)
_Ele dá tanta importância prá essas coisinhas que esquece...
_Você não conhece seu pai?
(...)
*Porta do banheiro abrindo.
_Você sabe qual é o nome dele? É VALDOMIRO!!
*Porta do banheiro fechando.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

SENTIMENTOS BRUTOS

-Morreu.
-Mentira!
-Morreu sim. Têm meses.
(...)
Desespero atrasado,
inconveniente,
embaraçoso.
Saí de cabeça baixa.
Parecia ter feito algo errado.
Mas o errado era o tempo
que sofreu um recorte
e agora levava um remendo.
Decidi para onde deveria ir
e andei depressa.
(...)
Eu o-d-e-i-o este lugar.
Evito seu nome.
Cidade de caixotes.
Caixotes de restos.
Restos de gente.
É tanta morte que a vida ofende!
(...)
Achei.
Primeiro vi a cor,
depois vi o tamanho,
prestei atenção em todos os detalhes sórdidos
tentando evitar o retrato.
Então li o nome completo,
data de nascimento,
data de ...
e vi o retrato!
A realidade bateu em minha cara,
o cimento amparou meus golpes
e tudo o que pude fazer
foi quebrar os malditos vasos
com as malditas flores de plástico.
(...)
Sentei-me.
Olhei fixamente para o retrato
e falei baixinho:
"quis"
"amei"
"escondi"
"errei"
...
E foi um desfile de verbos
conjugados no passado.
Então elas finalmente vieram.
Torrenciais.
Quentes.
Cegaram-me.
Trouxeram de presente
o sentimento mais cruel:
arrependimento.
Palavra feia.
(...)
O tempo começou a virar.
(...)
Matei a morte que viveu em mim.
Sepultei o rascunho de uma história.
(...)
-Vai passar. Eu dou um jeito.
- Eu sempre dou um jeito.

domingo, 9 de dezembro de 2007

ACROSS THE UNIVERSE


Words are flowing out like endless rain into a paper
cup,
They slither while they pass, they slip away across
the universe.
Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my
opened mind,
Possessing and caressing me.
Jai Guru Deva Om
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Images of broken light which dance before me like a
million eyes,
They call me on and on across the universe.
Thoughts meander like a restless wind inside a letter
box,
They tumble blindly as they make their way across the
universe.
Jai Guru Deva Om
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Sounds of laughter, shades of earth are ringing
Through my open ears inciting and inviting me.
Limitless, undying love, which shines around me like a
million suns,
And calls me on and on across the universe.
Jai Guru Deva Om
Nothing's gonna change my world...

sábado, 10 de novembro de 2007

"GLITTER"

Em tempos de grosseria
Onde falta a poesia
Fica uma lâmina de samurai
Com sangue escorrendo em ai...
O que os astros vão dizer
Se as estrelas que criei
Não forem para o céu brilhar
Mas preferirem se engavetar?

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

"SOBRE FOME"

Ganhei uma goiaba vermelha de minha amiga.
Macia,
suculenta,
realmente doce.
Comer esta goiaba vermelha
me proporcionou um grande prazer,
além da saudade da infância.
Esta goiaba vermelha
Foi dada à minha amiga por um garoto
que pedia ajuda na rua.
(que contradição!)
Certamente este garoto
ganhou a goiaba vermelha
de outra pessoa.
Esta pessoa que deu a
goiaba vermelha ao garoto
que a deu à minha amiga
deve tê-la comprado em
um supermercado qualquer.
Mas alguém levou esta goiaba vermelha
ao supermercado
para que fosse vendida.
Este alguém tão gentil
cultivou a terra que
trouxe-me este prazer
de presente.
Este alguém escreveu
alguns minutos de minha história.
O destino desta goiaba vermelha
Foi nascer,
Crescer,
percorrer vários caminhos
para, finalmente,
chegar a mim.
E fica semeada a dúvida:
Quem ou o quê nos devorará?

terça-feira, 2 de outubro de 2007

GAVETAS


Fingi que não vi
quando,
sobre suas meias,
caiu toda minha lingerie..