segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

just because of you
(Ryden)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

quid pro quo


tomei por verdade
o devaneio.
existi na memória alcoólica.
dia cheio de gotas,
gotas sóbrias,
traidoras!


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Construindo Dolores V

"_ Não olha prá trás, Dolores. Corre."
(...)
"Dolores não entendia como sua vida tinha chegado àquele ponto, corria sem entender, chorava sem entender."
(...)
"_ Você vai buscar os meninos?"
"_ Meu leite já secou tem doze anos, vão ter que se virar."
(...)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

EFEITO DOMINÓ

O cheiro de pneu queimado inflou as pupilas,
fez as cores salientes (lisergicamente).
Instante iceberg...
O vento veloz levou
o leve lenço vermelho de meu pescoço
de mãos dadas
com a alma que fugiu do corpo.
Meu olhar comido pelo olhar
atônito dos transeuntes..
O outro eu
correu
para matar o desejo
do sorvete de pistache,
juntar a coleção de sementes
e plantar,
às pressas,
o jardim da frente da casa.
E o leve lenço vermelho,
ladrão de alma,
morre de saudade
do meu perfume.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"prefiro a idéia ao fato. pouca realidade é vista por aqui e, quando surge, trato logo de falsificá-la. sobrecarga de entrelinhas! quero provocar as reticências no intuito de que se mantenha o exercício, o ritmo perfeito do pensamento individual. o universo da palavra é lindo, sendo inteira ou quebrada. decupada. vista pelo cérebro, mas de pulsos cortados, sanguínea. sonhando fonemas..."

DÉMODÉ

teleguiadas
telepáticas
trejeitos
tortos
traçados
tópicos
típicos
táteis
túneis
tépidos
trágicos
tecidos
tolhidos
turvos
tensos
trôpegos
tímpados
títulos
tendências
tristes
tráfegos
torpes
tiranos.

domingo, 9 de novembro de 2008

A vertigem não me tira dos passeios à margem do abismo.

sábado, 8 de novembro de 2008

recorte

e toda esta beleza..
este veneno doce,
suave,
sereno,
silencioso.
este diálogo implícito,
sobrenatural..
sussurro de olhos.
arrebata-me!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

AVESSO (apenas um exercício)

"_Eu não amo você!"
Perdoe-me mas...não.
(...)
Soa anti-natural,
cacofonia inata
que não se revela
por não ser aprendida.
Esta expressão de
sensibilidade torta
é posta sob tapetes.
(seria rodrigueana?):
"_ Eu não amo sua fala,
seu sono ruidoso,
seu corpo imperfeito,
seu olhar prático.
Eu não amo seus sonhos,
seus frívolos objetos de desejo.
Eu não amo sua vida em preto e branco.
Eu não amo seu diálogo com o mundo.
Eu não amo suas preferências
sonoras,
alimentares,
filosóficas,
sexuais,
estéticas.
A sua cor favorita não me agrada.
Suas manias não me comovem.
Suas mãos não despertam meus sentidos.
Eu não amo o SEU AMAR.
Não amo seus beijos.
Seu prazer me é indiferente.
Seu jeito de segurar os talheres,
o riso,
as banalidades que,
tantas vezes,
encantam...
Se seus, não amo.
Os seus olhos e olhares não sigo,
não quero abrir seus livros,
não quero "fuçar" sua caixa de memórias,
não quero contar meu dia.
Eu não vejo,
nas nuvens,
as mesmas imagens que você.
Não quero dividir meu banho,
meus lençóis,
meu silêncio.
Para que eu o ame,
precisaria reinventá-lo.
Embutir uma lente de
não-realidade.
Eu, definitivamente,
não amo você.
Pedi perdão por cortesia,
não me sinto culpada."

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Construindo Dolores IV

"A fumaça do cigarro calada, aquele silêncio malemolente era o que Dolores precisava para colocar as idéias em ordem."
(...)
" _ Dolores, por que você nunca me deu uma chance?"
"_ Prá você não me abandonar depois, Josival."
(...)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

FENG SHUI


A escrita parece longa quando no começo e à mão.
É diferente do meu costume.
Eu gosto de escrita crua e curta.
Crua e curta.
Esta sou eu.
Não consigo pensar em outra palavra a não ser "normal"
para designar minha argumentação diante das intempéries,
alegrias, sustos e demais
provocações da existência.
Porque esta sou eu.
E eu quero contar...
Até aqui já temos quatro pronomes pessoais
"eu".
(...)
Bem verdade que pausas serão constantes.
Existe uma preocupação
(dúvida sobre todos os substantivos, adjetivos..)
em construir algo que soe real
e assegure a veracidade deste pequeno tipo de
testamento vivo.
E, ainda assim, há que se ter uma levada
poética,
rock and roll
ou qualquer ritmo que seja interessante
e vá além da própria idéia para
os longínquos que,
porventura,
possam vir a ler.
Porque eu quero contar...
Possuo um pequeno caderno onde,
esporadicamente,
escrevo.
Já com poucas folhas em branco.
As que estão escritas foram passadas a limpo.
Eu não gosto de rascunhos misturados.
Começa assim.

*talvez continue*

domingo, 26 de outubro de 2008

FARFALLA

São tolices, eu sei.
Assunto batido,
comida requentada.
Nada há de novo por aqui.
É tolice dizer das aflições,
é tolice dizer das cores na face e dos arrepios.
É muita tolice dizer dos sussurros ao ouvido,
do olhar indiscreto e prolongado.
O que são os tremores da espera,
a respiração aos solavancos senão...
tolices?
O que diriam os grandes intelectuais e filósofos da humanidade
sobre os diálogos intermináveis dos olhos nos olhos?
"_Que rol de...tolices!"
É tolice o sorriso que escapa,
é tolice o devaneio constante,
é tolice a fala embargada.
Será uma patologia desconhecida ou distúrbio hormonal
o bater de mil frágeis asas no ventre?
Não.
A medicina moderna julga,
utilizando-se de linguagem vulgar
para entendimento do público leigo,
serem as mais absurdas tolices e
receitam placebo para o desaparecimento dos sintomas.
O viço da pele,
o brilho da aura,
a quietude confessional
são tolices, eu sei.
Neste tolo jogo
não há vencedor ou vencido,
apenas:
TRAPACEIROS!!!
Em algum lugar, eu sei, há um cigarro meu.
Queimando...

sábado, 25 de outubro de 2008

Construindo Dolores III

(...)
"Seus dentes rangiam, tal era a força com que os apertava. Seus pensamentos estavam brigando entre si e isto gerava em Dolores uma dor muito próxima do insuportável. Sem saber para onde deveria ir, deixou seus passos livres, esperando que algum cochicho superior, implícito no universo, a guiasse para um porto seguro."
(...)
"Avistou a casa. Aquele verde descascado das paredes proporcionou um certo alívio. Talvez tenha sido a primeira vez que Dolores sentiu, conscientemente, o que se pode chamar de...aconchego."
(...)
"Ele saiu pela porta da frente, um cachorro o seguia. Tinha um olho cego, fruto de uma briga de bar.
Motivo: mulher.
Que mulher?
Dolores."
(...)
"_ Dolores, Dolores... sabia que este dia iria chegar. Entra, o cachorro não morde."
(...)
"_Me dá uma cachaça, Josival."

terça-feira, 21 de outubro de 2008

SOL DAS QUATRO


Resolvi andar sem pressa,
troquei meus lépidos sapatos
pelas sandálias de dedos.
Escolhi-as pela dificuldade
que estas me asseguram.
(...)
Balzaquiana que não sabe andar de chinelos..
(...)
Desafio este de desacelerar:
pisar de mansinho a grama,
apreender entre os dedos
o pó do asfalto e seu calor.
Laboratório de pés.
(...)

***CONTINUA***




domingo, 19 de outubro de 2008

ÁTIMO

Passou o vento forte,
chacoalhou os objetos e
assustou os animais da casa..
Os jornais saíram se enrolando
pela porta da sala,
pareciam rir da brincadeira..
As janelas estavam batendo,
fechei-as.
As cortinas voavam,
guardei-as.
Meus cabelos me cegavam,
prendi-os.
Mas a porta dos fundos,
aquela que vai pro quintal,
está aberta.
Lá do espelho em que me vejo agora
ouço os sinos do mensageiro tocando.
De novo..

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Construindo Dolores II

(...)
"Ouviu muito pouco de sua mãe, mulher precária no trato com a prole, portanto não aprendeu a sentir e deixar-se sentir."
(...)
"Sua existência era obrigatória, não apreciada. Era um ser humano atípico."
(...)
"Aquela senhora semelhante a um molusco lustroso deixara Dolores fora de si."
(...)
"O perfume de uma mulher sempre tem muito a dizer. As mais velhas olham com ares de reprovação àquelas que exalam perfumes doces, sinuosamente provocantes."
(...)
"_Estique suas rugas prá se lavar. Você fede a talco vencido."
(...)
"Dolores Nervosa"
(...)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Construindo Dolores

O que tenho:
"Não que fosse feia, mas não se podia dizer que Dolores era uma mulher bonita.
Tinha magnestismo, isso sim... um desleixo sexy..."
(...)
"Seu cabelo era de um laranja cansado, raízes descuidadas..."
(...)
"Recusava-se a pintar as unhas de vermelho alegando que o vermelho era cor de unhas de mulher da vida..."
(...)
"Casou-se porque se sentiu cansada, depois de seu segundo filho completar doze anos mandou o marido embora. Quando questionada sobre as razões do rompimento, respondeu sonoramente:
_Nunca suportei sua voz.
Diante disto, o marido calou-se."
(...)
"_Não sei o que tenho que os homens não largam do meu pé!.
Isto era dito com a maior honestidade possível, uma vez que Dolores não tinha jeito com homens, não tinha jeito com gente, aliás não se interessava, esta é a verdade."
(...)
"Tinha mãos grandes, assim como os pés.. seus olhos traziam os traços indígenas da família da mãe. Sempre olhava os estranhos de soslaio...esperando algum ataque talvez.."
(...)
"Foi direto para o confessionário, não esperava que ali existisse alguém naquela hora."
(...)
"O sangue tinha parado de correr, congelou."
(...)
"_Padre, matei a velha!"
(...)
"Foi aí que tudo começou."

sábado, 11 de outubro de 2008

Essa moça do batom vermelho e tridente de açúcar
veio dançar uma valsa subaquática onde eu vivia..
Ela tinha muitos planos para mim.
Ela tinha muita coisa para me contar.
Então eu ouvi.
Então eu aprendi a dançar a valsa subaquática!!

sábado, 4 de outubro de 2008

SOLFEJO


São em sete.
Servas da estação.
Surgem serenas em sol:
estas árvores do meu quintal.
Conheci seu lado improvável,
aquele "difamável",
sorrateiro e ardiloso.
Enegrece o olhar de quem repara
pois, despidas do verde que as ampara,
feito garras cuspidas do solo,
seguram bolas coloridas,
pipas destruídas,
a camiseta do ídolo..
Prazer frívolo!
Vampiras disfarçadas!
Mas são servas..
E, na próxima estação,
a natureza há de devolver
aquela alma pura,
a poesia cheia de doçura
feita à sua sombra fresca.
Que assim seja.
AMÉM!