quarta-feira, 24 de junho de 2009

FENG SHUI II

Assim eu continuo,
trêmula diante das novas regras gramaticais,
insistente no eu desguarnecido
de leveza.
"Senza"...
(...)
Gostaria de dizer
infinitas palavras
esvoaçantes e
cheias de cor.
Mas não,
não eu.
(...)
Momento bruto,
cinza.
Esvoaçantes
são as lâminas
cortantes
das
notícias,
do cotidiano
cheio de
entrelinhas
sujas.
(...)
Perdão.

domingo, 8 de março de 2009

Veredito

Havia um "quê" indefinível
naquela farta alegria:
o cinza chuvoso dos olhos
conflitava com os sorrisos
(o sol furando as nuvens)
Caminhavam lado a lado,
braços dados,
bengalas sincronizadas
desfilando sua dependência.
Protegidos pelo não ver,
inocentes diante de toda feiúra,
porém,
culpados por aqueles sorrisos que
cegaram-me!!!!

Mar Morto

A você que anda
com a camisa bem passada,
vincada a ferro quente,
envolvido em tons pastéis.
Suas mãos de unhas rosadas
trêmulas diante da chama do fósforo,
escrevem flores e,
secretamente,
sonham luxúria.
Possui o bom gosto
adquirido pela teoria monetária.
É para você que falo:
você que,
nossos ouvidos,
tenta ludibriar
com suas construções fragmentadas,
tecnicamente perfeitas,
emocionalmente fracassadas.
O que eu realmente gostaria de dizer é:
_ Já tomou seu achocolatado hoje?

segunda-feira, 2 de março de 2009

dos outros

Ouvi assim:
"não se pede prá namorar alguém,
só se namora."
Achei bonito.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"Carpe Diem"


Disse-me a mesa:
"_Não me julgue só mesa,
não pretendo ser só madeira.
Apóio sua forma, sua maneira.
Deixe-me entrar..."
Que modos, os desta mesa!
Cobra-me tanta atenção.
Onde já se viu tamanha ausência de padrão?
"_Espera que eu me afeiçoe a você?
Seria um disparate!"
A mesa então,
perdeu sua rigidez,
seu sustento:
"_Você é menos humana que eu.
Cruel.
Sangue gelado."
Tanta carência havia naquela mesa...
uma mesa quadrada
de um só pé.
Fixei o olhar em suas nervuras,
no brilho de seu verniz.
Compadeci-me de suas dores:
"_Eu não sabia de seus valores.."
A mesa deu-me seu perdão.
Fui absolvida pela matéria bruta:
"_Você me cala facilmente.
Ateia-me fogo,
inunda-me até que eu me dissolva.
Meu destino foi escrito assim.
Já o seu...
O que queimar?"

"Stella"

Luz azul vem de cima
mas não de azul
mancha o papel.
Fica a palidez da folha
esperando uma idéia à toa
tingir a estrela
de céu.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Construindo Dolores VI


"_ Se eu for prá jaula me mato, padre!"
Não que não soubesse quais palavras
eram as adequadas
mas definitivamente outras eram as oportunas.
Havia, nos olhos daquela mulher,
um excesso...
"_ Não cabe a mim julgar.."
"_ Padre, cala a boca!
Só vim aqui prá descansar,
não prá ouvir opinião.
Puxou conversa,
acabou escutando o que não devia.
AGORA FICA QUIETO!!!"

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

FRAGILE















Porque se vem chuva,
diluem-se as cores.
Porque se vem sol,
contraem-se os olhos.
O rio permanece em seu leito
de tranquilidade.
E nossa não- existência
em NADA alterará
a rotina dos ventos..

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

condicionamento operante

às 7 desperto,
mas às 9 volta o sono..
o colchão rouba minhas formas,
o cobertor não me solta,
o travesseiro passeia.
às 12 quero cor,
às 13, sabor.
prefiro ver o sol das 16,
às 19 o olho brilha,
às 21 já quero a lua,
às 23 já sou sua,
às 24 já nem sei...
às 7 recomeço.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

just because of you
(Ryden)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

quid pro quo


tomei por verdade
o devaneio.
existi na memória alcoólica.
dia cheio de gotas,
gotas sóbrias,
traidoras!


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Construindo Dolores V

"_ Não olha prá trás, Dolores. Corre."
(...)
"Dolores não entendia como sua vida tinha chegado àquele ponto, corria sem entender, chorava sem entender."
(...)
"_ Você vai buscar os meninos?"
"_ Meu leite já secou tem doze anos, vão ter que se virar."
(...)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

EFEITO DOMINÓ

O cheiro de pneu queimado inflou as pupilas,
fez as cores salientes (lisergicamente).
Instante iceberg...
O vento veloz levou
o leve lenço vermelho de meu pescoço
de mãos dadas
com a alma que fugiu do corpo.
Meu olhar comido pelo olhar
atônito dos transeuntes..
O outro eu
correu
para matar o desejo
do sorvete de pistache,
juntar a coleção de sementes
e plantar,
às pressas,
o jardim da frente da casa.
E o leve lenço vermelho,
ladrão de alma,
morre de saudade
do meu perfume.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"prefiro a idéia ao fato. pouca realidade é vista por aqui e, quando surge, trato logo de falsificá-la. sobrecarga de entrelinhas! quero provocar as reticências no intuito de que se mantenha o exercício, o ritmo perfeito do pensamento individual. o universo da palavra é lindo, sendo inteira ou quebrada. decupada. vista pelo cérebro, mas de pulsos cortados, sanguínea. sonhando fonemas..."

DÉMODÉ

teleguiadas
telepáticas
trejeitos
tortos
traçados
tópicos
típicos
táteis
túneis
tépidos
trágicos
tecidos
tolhidos
turvos
tensos
trôpegos
tímpados
títulos
tendências
tristes
tráfegos
torpes
tiranos.

domingo, 9 de novembro de 2008

A vertigem não me tira dos passeios à margem do abismo.

sábado, 8 de novembro de 2008

recorte

e toda esta beleza..
este veneno doce,
suave,
sereno,
silencioso.
este diálogo implícito,
sobrenatural..
sussurro de olhos.
arrebata-me!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

AVESSO (apenas um exercício)

"_Eu não amo você!"
Perdoe-me mas...não.
(...)
Soa anti-natural,
cacofonia inata
que não se revela
por não ser aprendida.
Esta expressão de
sensibilidade torta
é posta sob tapetes.
(seria rodrigueana?):
"_ Eu não amo sua fala,
seu sono ruidoso,
seu corpo imperfeito,
seu olhar prático.
Eu não amo seus sonhos,
seus frívolos objetos de desejo.
Eu não amo sua vida em preto e branco.
Eu não amo seu diálogo com o mundo.
Eu não amo suas preferências
sonoras,
alimentares,
filosóficas,
sexuais,
estéticas.
A sua cor favorita não me agrada.
Suas manias não me comovem.
Suas mãos não despertam meus sentidos.
Eu não amo o SEU AMAR.
Não amo seus beijos.
Seu prazer me é indiferente.
Seu jeito de segurar os talheres,
o riso,
as banalidades que,
tantas vezes,
encantam...
Se seus, não amo.
Os seus olhos e olhares não sigo,
não quero abrir seus livros,
não quero "fuçar" sua caixa de memórias,
não quero contar meu dia.
Eu não vejo,
nas nuvens,
as mesmas imagens que você.
Não quero dividir meu banho,
meus lençóis,
meu silêncio.
Para que eu o ame,
precisaria reinventá-lo.
Embutir uma lente de
não-realidade.
Eu, definitivamente,
não amo você.
Pedi perdão por cortesia,
não me sinto culpada."

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Construindo Dolores IV

"A fumaça do cigarro calada, aquele silêncio malemolente era o que Dolores precisava para colocar as idéias em ordem."
(...)
" _ Dolores, por que você nunca me deu uma chance?"
"_ Prá você não me abandonar depois, Josival."
(...)