segunda-feira, 14 de julho de 2008

I'M BACK!!!!

JOSE CUERVO

Vagalumes demais não constróem idéias!
Uns conspiram, confundem, confabulam:
"_Pense nisto agora!"
Pois que o menos é mais!!!
Fiz uma armadilha e prendi os vagalumes.
Só um ficou livre:
batizei de Adalberto.
Ele me faz feliz!
O Adalberto não é destes de muita conversa.
Ele voa e pisca.
Mas ele faz isto tão bonito!

JACK DANIELS

Percebi que o amor não me serve.
Quero dizer no aspecto prático apenas.
Vamos esclarecer as coisas:
o amor dos/pelos homens.
Sim. HOMENS.
As mulheres que me perdoem,
mas as amo apenas com ternura
e cumplicidade na menstruação.
A verdade é que demorei a me convencer e aceitar esta idéia
uma vez que tenho um mundo interior excessivamente ágil
que me empurra fantasias muito mais interessantes
do que o que obtenho nas manhãs
pós-noites-de-sexo-incrível.
Assim sendo, vamos à redução de perdas e danos:
fico só com o prazer que eles me proporcionam.
Recorto toda a parte da idealização,jogos românticos e,
sem sofrimento algum,
deposito-os num destes aparelhos domésticos
que picam batatas, descascam coisas.
_ Pegue meus delírios e faça um bolero,
mister mix-master-multi-processador-portátil!!!!
Já senti a primeira pedrada
do coro que canta que o mais importante é o amor,
dos "amólatras" ditando a primeira regra:
não desista nunca!!
Parem!! Vocês não estão entendendo:
eu disse que o amor não me serve no aspecto prático.
Este nobre sentimento me ocupa
desde que abro os olhos pela manhã.
Mas ESTE para ELES será só MEU.
Meu fermento de boleros.
Nego a negatividade da vida
para obter uma existência positiva
como rege a matemática básica.
Amanhã vou me apaixonar por um homem perfumado,
com braços fortes e boa lábia.
Depois de amanhã vou às Casas Bahia
parcelar um mix-master-multi-processador-portátil.

domingo, 27 de janeiro de 2008

FRAGMENTOS II

(Pic by Irving Penn)

Misture as gemas com o açúcar
Até formar um creme liso.
(...)
"...in my world of fantasy.."
(...)
Acrescente os ingredientes secos.
(...)
_ Rosana, vem fazer a tarefa já!!
(pela janela)
(...)
Ring Ring
_Alô.
_Quem fala?
_Angélica.
_Boa tarde. Nós estamos com uma promoção da Revista Veja..
_Certo.
_Você já foi assinante de ...
_Já.
_Qual foi o motivo..
_Não tenho interesse.
_Mas você gostaria de conhecer..
_Me ligaram Segunda, já disse que não tenho interesse.
_A Editora Abril agradece. Boa tarde.
_Boa tarde.
(...)
"...burning like na angel
who has heaven in reprieve..."
(...)
_Cala a boca! Você fica me atormentando o dia inteiro!"
(pela parede)
(...)
Misture todos os ingredientes até virar uma massa homogênea.
As claras devem ser batidas em neve.
(...)
_Onde está a molinha de bater as claras em neve?
(...)
_Doce!!! Doce!!!
_Que doce o quê, Bruno, vai tomar banho!
_Buáááááá!!!
(pela janela)
(...)
"Let’s dance little stranger
show me secret sins.."
(...)
Acendo o forno.
(...)
Ploc Ploc Ploc
_Esta molinha é boa mesmo,
quase a neve..
(...)
Rin Ring
_Se eu parar agora as claras vão desandar..
Ring Ring
_Não vou atender coisa nenhuma.
Ring Ring
_Ô meu Deeeeus!..
Ring Ring
_ALÔ!
_É quem?
_COM QUEM VOCÊ QUER FALAR?
(Glória Kalil que me desculpe, mas tenho claras em neve desandando)
_O Toninho taí?
_QUE TONINHO? NÃO TEM TONINHO NENHUM AQUI!!
(...)
" Soon the music’s over
Let’s give it one more chance..."
(...)
Junte as claras em neve à massa e
misture delicadamente.
(...)
_AMOR, PEGA A TOALHA PRÁ MIM?
(pela parede)
(...)
Unte uma forma média,
leve a massa para assar em forno quente
pôr mais ou menos 30 minutos.
(...)
"Let’s dance little stranger
Show me secret sins
Love can be a bondage
Seduce me once again

Burning like an angel
Who has heaven in reprieve
Burning like the voodoo man
With devils on his sleeve

Won’t you dance with me
In my world of fantasy
Won’t you dance with me
Ritual fertility

Like an apparition
You don’t seem real at all
Like a premonition
Of curses on my soul

The way I want to love you
Well it could be against the law
I’ve seen you in a thousand minds
You’ve made the angels fall

Come on little stranger
There’s only one last dance
Soon the music’s over
Let’s give it one more chance..."
(...)
_Tá cheirando assado.
(...)
Prato. Xícara.
(...)
Elevador.
(...)
_Tereza, trouxe um bolinho com café prá você.
Passa margarina que derrete.
Olha que delícia!!!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

EAU DE TOILETTE


Veio até mim
feito pálido cristal,
sem chamar atenção
nem espalhar meu jornal.
Todavia,
é certo que assim não ficaria:
_Não seja tão visceral!!
O excesso sanguíneo
reagiu à monotonia.
Este tal coração
tem que bater todo dia!
Tanto céu estrelado
não iria passar impune.
_Não seja tão açucarada!
Pois sim!
Se fiz mal quero meu julgamento.
Diga alto minha sentença!!!
(...)
Não achou nenhum castigo?
_Não seja tão sincera!
Abafo todos os ais
em prol destes amores.
Não são especiais,
não decoro seus perfumes
nem dedico minhas rimas.
Duram apenas o momento
em que sustento minha farsa.
Agora acabou!
Compre o bilhete
para outra sessão.
_Não seja tão imoral!

domingo, 6 de janeiro de 2008

FRAGMENTOS I

_Não tenho mais cabeça prá nada!
_Pai, o senhor sabe as porcentagens de todos os impostos,
de tudo o que existe e
prá onde vão.
Como não tem cabeça prá nada?
_Mas não posso esquecer o nome de um homem que vi crescer.
(...)
_Mãe, não é a Lolita Rodrigues.
_É sim!
_Aposto tudo o que tenho.
(...)
_O Fumaça gosta que passe a vassoura na barriga dele.
(...)
_Pai, o senhor podia plantar girassol perto do muro.
_Não. Não dá. Cada coisa tem seu lugar.
(...)
_O nome dele tem i, parece Tito..
(...)
_Você tirou um talho da minha orelha ontem,
saiu sangue na hora da missa.
_É um raspadinho pequenininho de nada, Antonio. Tô vendo aqui.
_Põe os óculos que fica maior.
_Pai, é um raspadinho de nada.
*Silêncio.
(...)
_É a Lolita Rodrigues.
_Mãe, não é a Lolita Rodrigues.
(...)
_Moça, posso escrever uma poesia prá você?
_Pode.
(...)
_Angélica, você lembra quando a gente veio veio aqui
colher ramos de cedrinho prá fazer o mural da escola
e você ficava cantando "lerêê, lerêêê" da escrava Isaura?
(...)
_Pai, todo mundo esquece as coisas.
_Não é não, é a idade que acaba com a cabeça.
(...)
_Angélica, você colocou água prá Kika?
(...)
_Como é seu nome?
_Angélica.
(...)
_Olinda, tira meu sapato do sol.
(...)
_Eu lembro o nome de todo mundo da casa dele...
(...)
_O Fumaça saiu prá dar a voltinha dele e deitou no mesmo lugar.
Eta gato preguiçoso!
(...)
_Você vai guardar a poesia?
_Vou.
(...)
_Eu quero ver a "castanha" dela, como é que tá.
(dedos tortos pela idade abrindo o caroço da manga)
_Você tá vendo? Se coloca no chão, daqui uma semana
o broto já está prá fora.
(...)
_Ai que susto pai!
(ele jogou um doce em mim enquanto eu escrevia isto)
(...)
_Angélica, eu sei que você não quer nada comigo,
mas eu gosto de conversar com seus olhos.
_Tudo bem.
_Você vai guardar a poesia?
_Vou.
(...)
_EU NÃO SEI COMO VOCÊS AGUENTAM O BARULHO DESSE RELÓGIO!
AINDA VOU QUEBRAR ISTO!!!
_A gente já acostumou, Angélica.
(...)
_O Fumaça já voltou, mãe, tá esticado lá na calçada.
(...)
_Ele dá tanta importância prá essas coisinhas que esquece...
_Você não conhece seu pai?
(...)
*Porta do banheiro abrindo.
_Você sabe qual é o nome dele? É VALDOMIRO!!
*Porta do banheiro fechando.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

SENTIMENTOS BRUTOS

-Morreu.
-Mentira!
-Morreu sim. Têm meses.
(...)
Desespero atrasado,
inconveniente,
embaraçoso.
Saí de cabeça baixa.
Parecia ter feito algo errado.
Mas o errado era o tempo
que sofreu um recorte
e agora levava um remendo.
Decidi para onde deveria ir
e andei depressa.
(...)
Eu o-d-e-i-o este lugar.
Evito seu nome.
Cidade de caixotes.
Caixotes de restos.
Restos de gente.
É tanta morte que a vida ofende!
(...)
Achei.
Primeiro vi a cor,
depois vi o tamanho,
prestei atenção em todos os detalhes sórdidos
tentando evitar o retrato.
Então li o nome completo,
data de nascimento,
data de ...
e vi o retrato!
A realidade bateu em minha cara,
o cimento amparou meus golpes
e tudo o que pude fazer
foi quebrar os malditos vasos
com as malditas flores de plástico.
(...)
Sentei-me.
Olhei fixamente para o retrato
e falei baixinho:
"quis"
"amei"
"escondi"
"errei"
...
E foi um desfile de verbos
conjugados no passado.
Então elas finalmente vieram.
Torrenciais.
Quentes.
Cegaram-me.
Trouxeram de presente
o sentimento mais cruel:
arrependimento.
Palavra feia.
(...)
O tempo começou a virar.
(...)
Matei a morte que viveu em mim.
Sepultei o rascunho de uma história.
(...)
-Vai passar. Eu dou um jeito.
- Eu sempre dou um jeito.

domingo, 9 de dezembro de 2007

ACROSS THE UNIVERSE


Words are flowing out like endless rain into a paper
cup,
They slither while they pass, they slip away across
the universe.
Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my
opened mind,
Possessing and caressing me.
Jai Guru Deva Om
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Images of broken light which dance before me like a
million eyes,
They call me on and on across the universe.
Thoughts meander like a restless wind inside a letter
box,
They tumble blindly as they make their way across the
universe.
Jai Guru Deva Om
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Sounds of laughter, shades of earth are ringing
Through my open ears inciting and inviting me.
Limitless, undying love, which shines around me like a
million suns,
And calls me on and on across the universe.
Jai Guru Deva Om
Nothing's gonna change my world...

sábado, 10 de novembro de 2007

"GLITTER"

Em tempos de grosseria
Onde falta a poesia
Fica uma lâmina de samurai
Com sangue escorrendo em ai...
O que os astros vão dizer
Se as estrelas que criei
Não forem para o céu brilhar
Mas preferirem se engavetar?

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

"SOBRE FOME"

Ganhei uma goiaba vermelha de minha amiga.
Macia,
suculenta,
realmente doce.
Comer esta goiaba vermelha
me proporcionou um grande prazer,
além da saudade da infância.
Esta goiaba vermelha
Foi dada à minha amiga por um garoto
que pedia ajuda na rua.
(que contradição!)
Certamente este garoto
ganhou a goiaba vermelha
de outra pessoa.
Esta pessoa que deu a
goiaba vermelha ao garoto
que a deu à minha amiga
deve tê-la comprado em
um supermercado qualquer.
Mas alguém levou esta goiaba vermelha
ao supermercado
para que fosse vendida.
Este alguém tão gentil
cultivou a terra que
trouxe-me este prazer
de presente.
Este alguém escreveu
alguns minutos de minha história.
O destino desta goiaba vermelha
Foi nascer,
Crescer,
percorrer vários caminhos
para, finalmente,
chegar a mim.
E fica semeada a dúvida:
Quem ou o quê nos devorará?

terça-feira, 2 de outubro de 2007

GAVETAS


Fingi que não vi
quando,
sobre suas meias,
caiu toda minha lingerie..

terça-feira, 18 de setembro de 2007

" TEIMOSIA "
É de minha posse uma caneca vermelha.
Minha favorita para o café e adjacências..
Apelidei-a de Chubby devido a sua capacidade e robustez.
Ocorre que Chubby sofreu uma rachadura
na parte superior de sua alça.
Não houve separação das partes
mas sim um,
quase imperceptível,
jogo na alça e um,
quase inaudível,
ranger durante a pegada.
Pensei se deveria colar
mas diz a lenda que
"não presta guardar louça quebrada".
Fiquei me perguntando se
"quebradura" seria igual a "partidura"
e decidi que abandonaria Chubby
quando sua alça se rompesse por completo.
Acontece então, porém,
que estabeleceu-se uma guerra de nervos
porque o momento fatídico não chega,
e a cada imperceptível jogo
e inaudível ranger
cresce uma irritação.
É bem verdade que
tentei transgredir minha decisão e,
fingindo não ver,
já deixei Chubby escorregar
durante a lavagem e
forcei sua alça
a fim de antecipar o destino,
mas nunca ultrapasso
certas normas implícitas e,
ao final do secreto delito,
é como se Chubby me olhasse
com a sua "partidura" sorrindo
e dissesse:
"Você não consegue, não é?"
Eu poderia dar fim à caneca
lançando a maldita na parede
(uma bela cena)
mas iria contra a ordem natural das coisas
e geraria em mim uma sensação de derrota.
Esta peleja: afeição X aflição
já dura algum tempo
e a mim resta Drummond:
"Eta vida besta, meu Deus!"

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

FLESH PILLOW

Amanheci querendo falar de travesseiros,
mas não consegui organizar as idéias.
Queria escrever algo que o associasse a um amante..
com muita sinuosidade, sibilância, muitos SSS.
Afinal de contas, o travesseiro é objeto de grande intimidade:
abriga seu suor,
seus perfumes,
ouve seus ais...
E, por mais que você evite,
ele acaba passeando em sua cama:
sob seu pescoço,
tocando em suas costas,
entre suas coxas...
Sofri durante o dia,
esperando que alguma idéia soasse boa.
A noite chegou.
Vou dormir com dois.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

ANTONIO










76 anos de pura disposição contra um muro de 2 m e ...
para salvar seu amado gato Fumaça que se afogava
na piscina de pouca água do vizinho.
Precariamente retratado no ambiente que adora,
entre a flora que cultiva.
*Cheiro de limoeiro...
Dele veio como herança:
apego aos perfumes;
signo (Peixes);
entendimento da grandiosidade da Natureza
em se permitir abrigar uma raça tão perturbada como a nossa;
um certo jogo nos joelhos...
Descobri há poucos anos
que meu sonho de infância de ser astronauta
se encontra com o dele de ser aviador,
curiosidade de céu.
Ficamos os dois em terra
olhando para as estrelas!
Homem de olhar sincero,
sabedoria e poesia pura.
Certamente o único semelhante
a conhecer minha alma do avesso.
Não se trata de escrever uma homenagem sentimentalóide
e sim de registrar:

*É uma honra ter recebido sua educação e
desfrutar de sua companhia.
*Meu amor é absoluto e eterno.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"O ENTARDECER DE UMA ESTRELA"


Lá, Lé, Li, Lóóóóó, Lu patinadora
Lá, Lé, Li, Ló, Lu patinadora!!!

Oh, pequena Lu
quando estava a patinar
uma das rodinhas perdeu de seu patim.
"Liga não, disse o bichim,
vá pro gelo deslizar!"



A pequena Lu então,
lâminas comprou,
seu patim equipou,
num cachecol se enrolou
e na pista se jogou.

Oh destino cruel,
numa manobra radical
deixou cair seu anel.
De susto o gatinho:
MIAAU!!

A pequena Lu se estabacou,
a lâmina rachou.
Novamente sem patim...
"Liga não, disse o bichim,
vá prá neve esquiar!"

A pequena Lu foi então prá montanha.
Mas que beleza de visão!!!
Só que esquiar exige manha
e num átimo de distração
lá foi Lu pelos ares...

Resolveu então sua avó visitar,
na velha mangueira se instalar,
sem dó nem piedade, as frutas atacar!!
Ficou toda amarela
a rir sem parar!

Moral da estória:
Cada fruta tem sua época,
senão pode haver bichim!!!!

domingo, 2 de setembro de 2007

ODE AO BIGODE

Salve Dali cheio de farsa!
A loucura é contigo.
Permita que, em ti, acerte minha hora.
Liberta Gala de tuas gavetas.
Azuis!
Santa mania, voar em pincéis...
Devolva as cores da borboleta.
Agora vou vestir tua sorte
para despir mais...
... além.

sábado, 1 de setembro de 2007

"DE-GLAMOUR"

Não há salto que resista...
Quem nunca foi deselegante que atire a primeira pedra!!!!
Aos demais:
peguem a senha e vamos beber!!!!

PARA MÍOPES E CÃES, COM AFETO.


Dizem que a visão dos cães se assemelha a dos míopes
na precariedade da definição das imagens.
Se bicho parece gente
ou gente parece bicho
deixo para alguém contar.
Porém,
para amenizar a discussão
e poetizar a condição,
sob uma ótica míope:
Em verdade vos digo:
em redor de buraco tudo é beira,
em redor de míopes e cães
tudo é puro IMPRESSIONISMO!!!